Sem Mim, nada podeis fazer. (Jo 15,5)

Sem Mim, nada podeis fazer. (Jo 15,5)


Nada te pertube, nada de espante. Tudo passa. Deus não muda. A paciência tudo alçança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Só Deus basta!
Santa Tereza de Ávila

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Véspera de Natal

 

VÉSPERA DE NATAL”

 

Era véspera de Natal, e nada na casa se movia,

Nenhuma criatura, nem mesmo um camundongo;

As meias com cuidado foram penduradas na lareira,

Na esperança de que Papai Noel logo chegasse;

As crianças aconchegadas, quentinhas em suas fronhas,

Enquanto rosquinhas de natal dançavam em seus sonhos;

Mamãe com seu lenço, e eu com meu gorro,

Há pouco acomodados para uma longa soneca de inverno;

Quando no jardim começou uma barulhada,

Eu pulei da cama para ver o que estava acontecendo.

Para fora da janela como um raio eu voei,

Abri as persianas, e subi pela cortina.

A lua no colo da recém-caída neve,

Dava um lustro de meio-dia em tudo em que tocava,

Quando, para meus olhos curiosos, o que apareceu:

Um trenó miniatura, e oitos renas pequenininhas,

 

 

Com um motorista velhinho, tão alerta e muito ágil,

E eu soube, na mesma hora, que era o Papai Noel.

Mais rápido que uma águia vinha pelo caminho,

E assobiava, e gritava, e as chamava pelo nome;

“Agora, Dasher! Agora, Dancer! Agora, Prancer e Vixen!

Venha, Comet! Venha, Cupid! Venham, Donder e Blitzen!

Por cima da sacada! Para o topo do telhado!

Agora fora, depressa! Fora todos, bem depressa!”

 

 

Como folhas revoltas antes do furacão,

Sem encontrar obstáculos, voaram para o céu,

Tão alto, acima do telhado voaram,

O trenó cheio de brinquedos, e Papai Noel nele também.

E então num piscar de olhos, ouvi no telhado

O toque-toque e o arrastar dos casquinhos.

Como um desenho em minha cabeça, assim que virei

Descendo a chaminé Papai Noel vinha resoluto

Todo vestido de peles, da cabeça até os pés,

E com a roupa toda manchada de cinzas e carvão;

Um saco de brinquedos em suas costas,

Parecia um mascate ao abrir o saco.

Seus olhos – como brilhavam! Suas alegres covinhas!

Suas bochechas como rosas, seu nariz como uma cereja!

Sua boquinha sapeca curvada para cima como num arco,

A barba em seu queixo tão branca como a neve;

O cabo do cachimbo bem preso em seus dentes,

A fumaça envolvendo sua cabeça como uma guirlanda;

Tinha um rosto redondo e uma barriga grande,

Que sacudia, quando ele sorria, como uma tigela de geléia.

Era gordinho e fofo, um perfeito elfo velhinho e alegre,

E eu ri quando o vi, sem poder evitar;

Uma piscada de olhos e um meneio de cabeça,

Na hora me fizeram entender que eu nada tinha a temer;

Não disse uma só palavra, mas voltou direto ao seu trabalho,

E recheou todas as meias; então virou no pé,

E colocando o dedo ao lado do nariz,

Acenando com a cabeça, a chaminé escalou;

Pulou em seu trenó, ao seu time assobiou,

E para longe voaram, como pétalas de dente-de-leão.

Mas ainda o ouvi exclamar, enquanto ele desaparecia

“Feliz Natal a todos, e para todos uma Boa Noite!”

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